Ansiedade Infantil e Juvenil: noções básicas

21-09-2020

O QUE É A ANSIEDADE

A ansiedade é um estado emocional natural e adaptativo, que nos prepara, ajuda e protege aquando de situações de perigo e de desafio. Deste modo, a ansiedade adaptativa é uma reação natural a situações que põem em risco os nossos mecanismos de sobrevivência.

A ansiedade torna-se um problema quando interfere de forma negativa no quotidiano da criança, impossibilitando-a de agir e de ter controlo sobre o que a rodeia, afetando a sua qualidade de vida nos vários contextos e as suas relações sociais. Quando a ansiedade se torna desadaptativa, ela causa muito sofrimento na criança, afetando-a nos seus sentimentos, pensamentos e comportamentos. Neste caso, é importante solicitar ajuda de um profissional qualificado. Para diferenciar a ansiedade adaptativa da ansiedade patológica, o profissional poderá ter em consideração aspetos como a intensidade, a frequência, a duração e o grau de profundidade e sofrimento da ansiedade na criança ou no jovem.

OS SINTOMAS

Deixo-vos alguns sintomas (emocionais, físicos, comportamentais e em forma de pensamentos) que podem estar presentes nas diversas formas de manifestação de ansiedade.

Emocionais: Medo/s; Preocupação (excessiva); Tristeza; Culpa; Alterações repentinas de humor; Desesperança; Sensação de não ter valor.

Físicos: Agitação; "Borboletas no estômago"; Mãos/pés suados ou frios; Dor de barriga; "Formigueiro" em algum membro do corpo; Sensação de falta de ar; Alterações no padrão do sono; Tonturas; Tensão muscular.

Comportamentais: Isolar-se; Crises de choro; Ataques de zanga ou fúria; Evitar novas atividades; Ausência de realização de atividades que davam prazer; Diminuição da capacidade de atenção e concentração; Dificuldades na tomada de decisão; Lavagens excessivas da mãos ou do corpo; Arrumar todos os objetos pela sua cor, forma, etc.

Pensamentos: Perda de controlo; Pessimismo; Perda de confiança em si próprio; Autoimagem negativa; Autocritica frequente; Pensamentos que algo de mau poderá acontecer-lhe; Foco no que corre mal e no que é negativo; Pensamento de que não é possível ser ajudado; Pensamento de que se é estranho.

A PREVALÊNCIA

A Ansiedade apresenta-se uma problemática bastante prevalente nos dias de hoje. Diversos estudos revelam que aproximadamente uma em cada dez crianças apresenta critérios para diagnóstico de uma Perturbação de Ansiedade no decorrer da infância.

AS CAUSAS

Vários são os fatores envolvidos na origem de perturbações de ansiedade em crianças e jovens, designadamente fatores individuais, biológicos/hereditários e ambientais. 

Os fatores individuais dizem respeito à forma como a criança processa e interpreta as informações e emoções, sendo passíveis de ser treinadas e reajustadas ao longo da infância e vida. 

Os fatores biológicos ou hereditários são aqueles que por norma, não podem ser modificados, pois resultam de material genético transmitido de geração em geração. Por fim, a influência ambiental que engloba:

- Estilos de educação parental - educação superprotetora ou supercrítica e educação permissiva;

- Acontecimentos de vida: eventos traumáticos - acidente de carro assaltos, maus tratos; e/ou, episódios causadores de stress - mudança de escola ou de casa, divórcio dos pais, rejeição familiar ou por parte dos pares; nascimento de um novo membro da família, doença do próprio ou de um familiar.

Estes fatores ambientais que apresentam bastante impacto poderão também eles serem reeducados e reajustados.

AS CONSEQUÊNCIAS

Na ausência de tratamento psicológico, as consequências da ansiedade poderão ser bastante prejudiciais para a criança ou jovem, causando sofrimento significativo e mal-estar geral.

Poderão surgir consequências penosas para a criança ou jovem, de entre as quais:

· Inadequação e isolamento social

· evitamento de locais, pessoas e/ou situações

· dificuldades escolares

· evitamento de situações novas

· diminuição considerável da autoestima e autoconfiança

· em casos mais graves, depressão

ENQUANTO PROCURA A AJUDA DE UM PROFISSIONAL

Os pais deverão escutar empaticamente a criança ou jovem e procurar tranquiliza-la/o, sem descorar uma atitude segura e confortante.

Incentivar e ajudar a criança/jovem a encontrar soluções adequadas para enfrentar a situação problemática/ansiogénica, ajudando na preparação de uma lista de possíveis estratégias.

Não favorecer o evitamento das situações que causam ansiedade.

Relembrar a criança/jovem que ela/e já superou situações de ansiedade anteriormente.

Elogiar os seus esforços e estimular o seu adequado comportamento.


By Tânia Daniela Carvalho

Psicóloga Clínica Infantojuvenil

Membro Efetivo da OPP